A perícia do auxílio-acidente é uma etapa importante para verificar se o acidente deixou uma sequela permanente capaz de reduzir a capacidade para o trabalho habitual. Por isso, não basta apenas informar que houve uma fratura, cirurgia ou lesão: é necessário demonstrar como ficou a capacidade funcional depois do tratamento.
Muitas pessoas chegam à avaliação com vários exames, mas têm dificuldade para explicar quais tarefas profissionais passaram a exigir mais esforço ou quais movimentos não são mais realizados como antes.
Neste artigo, você vai entender o que é relevante nessa avaliação, quais documentos organizar e como apresentar as informações de forma objetiva.
O que o INSS avalia no auxílio-acidente?
O ponto central é a existência de sequela definitiva decorrente do acidente e a redução da capacidade para a atividade habitual. Isso é diferente de avaliar apenas se a pessoa está ou não totalmente incapaz para trabalhar.
No auxílio-acidente, é possível que o segurado esteja trabalhando. A discussão é se ele voltou com uma redução permanente da capacidade, ainda que consiga continuar exercendo sua profissão.
Exemplo: conseguir voltar ao trabalho não significa necessariamente recuperar a mesma capacidade de antes. Perda de força, mobilidade ou precisão pode exigir maior esforço para executar as mesmas tarefas.
Quais informações são importantes na perícia?
É útil conseguir explicar de maneira clara o que aconteceu, qual tratamento foi realizado, quais sequelas permaneceram e como elas afetam o trabalho.
| Informação | Por que é relevante |
|---|---|
| Data e tipo do acidente | Ajuda a estabelecer a origem da lesão. |
| Tratamentos realizados | Demonstra a evolução clínica e a recuperação. |
| Sequela atual | Mostra o que permaneceu após o tratamento. |
| Profissão habitual | Permite compreender as exigências concretas do trabalho. |
| Limitações funcionais | Relaciona a sequela às tarefas que ficaram mais difíceis. |
Não é necessário decorar termos médicos. É mais útil ser objetivo e descrever situações reais: dificuldade para elevar o braço, segurar peso, fechar a mão, agachar, caminhar por longos períodos ou repetir determinado movimento, por exemplo.
Quais documentos levar para a perícia?
Os documentos devem ajudar a contar a história do acidente e da sequela. Podem ser relevantes laudos médicos, exames de imagem, prontuários, relatórios cirúrgicos, atestados, relatórios de fisioterapia ou reabilitação e documentos relacionados ao acidente.
Quando possível, relatórios médicos atuais que descrevam limitações funcionais podem contribuir para demonstrar o estado após a consolidação da lesão. A documentação deve ser verdadeira, legível e coerente com o histórico.
Organização ajuda: separar documentos em ordem cronológica facilita visualizar acidente, tratamento, evolução e sequela atual. Nenhum documento, porém, garante sozinho a concessão.
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Preciso dizer que não consigo trabalhar?
Não se essa não for a realidade. O auxílio-acidente não exige incapacidade total. A informação deve corresponder ao que realmente acontece.
Se você voltou a trabalhar, explique isso. O ponto relevante é identificar se passou a trabalhar com alguma redução funcional permanente. A tentativa de transformar uma limitação parcial em incapacidade total pode prejudicar a clareza do caso.
Por isso, concentre-se em fatos: o que fazia antes, o que consegue fazer hoje e quais tarefas passaram a exigir adaptação, maior esforço ou ficaram limitadas.
O que acontece se a perícia não reconhecer a sequela?
Se o benefício for negado, é importante verificar a fundamentação da decisão antes de escolher o próximo passo. Pode haver discussão sobre a própria existência da sequela, seu caráter permanente, o impacto na profissão ou outro requisito previdenciário.
Dependendo do caso, podem existir alternativas administrativas ou judiciais. Leia nosso guia sobre auxílio-acidente negado pelo INSS para entender quais pontos devem ser revisados.
Como se preparar sem exagerar ou omitir informações?
Preparar-se significa organizar documentos e conseguir explicar o caso com clareza, não ensaiar respostas artificiais. Informe o acidente, o tratamento e as limitações reais. Se determinada tarefa ainda é possível, mas exige mais esforço, diga exatamente isso.
Também vale revisar previamente qual era sua função e quais atividades eram executadas no dia a dia. A profissão registrada em um documento nem sempre revela todas as exigências práticas do trabalho.
Para compreender melhor o requisito da sequela, veja quais sequelas podem dar direito ao auxílio-acidente.
Conclusão: a perícia deve enxergar a relação entre sequela e trabalho
A avaliação do auxílio-acidente não se resume ao nome da lesão. O ponto essencial é demonstrar a sequela permanente e sua repercussão na capacidade para a atividade habitual.
Uma análise prévia dos documentos pode ajudar a identificar lacunas, organizar a cronologia e compreender quais informações são realmente relevantes para demonstrar a redução funcional. Isso não interfere na autonomia da perícia nem garante concessão do benefício.
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As orientações institucionais sobre o benefício podem ser conferidas no portal oficial do INSS.

